MANUFATURA ATEMPORAL

Com rigor artesanal e look anti-efêmero, Artefacto Edition 2018 passeia despretensiosamente por questões contemporâneas e formas etéreas.

Razão e Sensibilidade
Da mistura na de técnicas e materiais em leituras que partem do brutalismo ao futuro mais avant-garde, Patricia Anastassiadis explora novos territórios com o bom e velho rigor artesanal da Artefacto.

Desde que assumiu a consultoria de produtos da Artefacto, há quatro anos, Patricia Anastassiadis, um dos maiores nomes da arquitetura do País, mirou na evolução da tradição. “O DNA da Artefacto sempre buscou um padrão de excelência internacional, com as melhores matérias-primas e um rigor artesanal raro na indústria. É assim que a marca vem construindo uma história de mais de quatro décadas. Desde que assumimos o front dos lançamentos, procuramos valorizar ainda mais esse legado, em formas que buscam a atemporalidade, já que um móvel não é um bem de consumo efêmero e, muitas vezes, chega a atravessar gerações”, conta a arquiteta. Para a Artefacto Edition 2018, Patricia, que acredita que “quando se perde a sensibilidade daquilo que é feito à mão, a civilização corre um risco”, se vale de temas atuais relevantes compartimentados em quatro caminhos (Primitivo, Fiber Lab, Campanha e Space) para delinear o mobiliário, elevando o discurso – e o curso – do design a um novo patamar de importância cultural, com leveza e sem nenhuma pretensão. “Não há aqui um storytelling forçado para justificar esta ou aquela curva, este ou aquele traço. A inspiração-chave da nova coleção como um todo é o próprio ser humano, suas interações entre si e com o meio ambiente – um resgate daquilo que é verdadeiramente essencial inclusive dentro de casa”, contextualiza. “E graças a essa proximidade com os processos fabris e com o DNA do brand alcançamos maior maturidade na mistura dos materiais, com uma ousadia pé no chão que busca a originalidade sem comprometer fundamentos da mobília, como a ergonomia e a plasticidade enquanto extensão do próprio hábitat, do invólucro arquitetônico. ”Do primitivo/vernacular ao retro-futurismo, do artesanato fatto a mano ao utilitarismo da vida nômade e sem fronteiras, os moods da nova coleção traduzem muito mais do que tendências de um segmento – são statements de uma marca protagonista e alinhada com o seu tempo, que plasma na manufatura de seus mobiliários as técnicas clássicas, as tecnologias de ponta e uma razão de ser que começa e termina no conforto, em todas as suas vertentes.

SHOWROOM

O ser humano e a sua intensa relação com o mobiliário, seguindo a vontade global de readequação do consumo como memória afetiva e enaltecendo o valor intrínseco em cada peça, foram o norte da inspiração. Neste contexto, elas acionam materiais simples pinçados do brutalismo, como granilite, pedra e cimento. “Olhei intensamente para o ser humano e para a sua relação com o mobiliário, que funciona quase como um abrigo”, explica Anastassiadis. As formas mais orgânicas serpenteiam um maior equilíbrio e proporção nas curvas. Em contraponto com a alta tecnologia que domina a vida cotidiana, essa linha propõe uma imersão no ancestral, inaugural, vernacular e essencial por meio da retomada e valorização dos processos artesanais.
Aqui a relação direta com a bra, que se conecta como o grande cordão umbilical da gênese da Artefacto. Com acabamento assumidamente artesanal, as peças transitam entre o living e o terraço, protagonizando um lifestyle indoor ou outdoor. Materiais como palha de buriti, aço e couro se encontram em amarrações bem transadas. “A fibra vem trabalhada de forma extraordinária no ateliê da Artefacto, sendo adequada tanto para uso interno quanto externo – as peças desse mood podem, assim, migrar entre espaços e transitar pela casa”, contextualiza Patricia.
Bebendo na fonte do transculturalismo e multiculturalismo e da necessidade de porosidade entre os povos e as fronteiras, essas peças leves e de encaixe vendem a sensação de que podem ser desmontadas e levadas, mas sem fragilidade, manifestadas em materiais resistentes como couro e madeira. O nomadismo tempera as composições que refletem e festejam a diversidade de escolhas e a liberdade de movimento, permitindo composições autorais a partir de arquétipos clássicos. “Queremos transmitir a sensação de permeabilidade, liberdade, movimento. As peças apresentam traços versáteis – são componíveis, trazem encaixes e misturam técnicas de diferentes origens culturais”, explica Anastassiadis.
Entusiasta das inúmeras nuances construtivas, dos princípios cartesianos de Arquimedes às esquinas de concreto armado de Niemeyer, Patricia Anastassiadis sabe que o design, por definição e excelência, nada mais é do que a arquitetura na escala do móvel. Neste matiz da nova coleção, apostou na dualidade entre o vazio e o preenchido numa ode ao Minimalismo oriental. Em termos práticos, a forma vem percebida não pelo espaço que preenche, mas pelo vazio que a contorna – ou seja, está além da percepção física, jogando com a liberdade da mente e a calma do silêncio. Peças surgem em tonalidades claras e composições modulares. “O vazio é tão importante quanto o preenchido. Imprimimos essa sensação por meio de recortes pontuais e hiatos arquitetônicos que flertam com sombras, luzes e movimentos”, sentencia.

EDITION 2018


Sofás

Poltronas e Chaise Long

Cadeiras

Bancos e Puffs

Mesas

Escrivaninhas e Estantes

Buffet e Criados